Calendário MUKANDA WA KITHANGANA! ( WA JIMBEJI) 2026

Homenagem a Dyembu Dyetu, jornalistas, escritores, historiadores e cientistas culturais do patrimônio africano

O Calendário MUKANDA WA KITHANGANA! (WA JIMBEJI) 2026 é uma iniciativa de valorização da memória, da ancestralidade e da continuidade cultural africana. Idealizado como um instrumento de educação, reconhecimento e resistência, o calendário reafirma a centralidade das línguas africanas e das tradições orais como fundamentos vivos do patrimônio cultural do continente e da diáspora.

O Instituto Kybanthu Erer presta, por meio deste projeto, uma homenagem à Sociedade Cultural Dyembu Dyetu, bem como a pesquisadoras e pesquisadores, escritoras e escritores, historiadoras e historiadores, jornalistas e lideranças culturais que atuam na valorização, preservação e promoção das línguas nacionais angolanas e africanas. Pessoas como Kota Duro (José João Caetano), guardião incansável da tradição oral angolana, que ajudou a  transformar a música em instrumento de resistência cultural e afirmação identitária. Seu legado artístico mantém vivas as raízes de Malanje e inspira gerações na preservação do patrimônio imaterial. Sanga Kambwa jornalista exemplar, cuja carreira é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e com as línguas nacionais. Sua dedicação à comunicação fortaleceu a identidade cultural angolana e foi justamente reconhecida a nível nacional. Prof. Miguel Lubwatu, intelectual brilhante e profundo conhecedor do Kimbundu, aliando o rigor académico ao compromisso com a cultura angolana. Seu trabalho como docente, tradutor e pesquisador é fundamental para a valorização das línguas nacionais. Nkula António Zau Lembe, jornalista talentosa e defensora incansável da cultura africana, destaca-se pela valorização das línguas e tradições ancestrais. Seu percurso profissional é marcado pela excelência, reconhecimento internacional e compromisso identitário. Patrício Batsîkama (Mampuya Cipriano), historiador e antropólogo de referência, cuja produção intelectual eleva o pensamento africano no meio académico internacional. José Elias Alberto, intelectual comprometido com a educação e a memória histórica de Angola, destacando-se pela seriedade académica. Seu trabalho de recolha de testemunhos é essencial para preservar a história viva do país. Filipe Artur Vidal, intelectual multifacetado que integra saber académico, espiritualidade africana e pensamento crítico contemporâneo. Sua atuação reafirma a africanidade e contribui para o fortalecimento do protagonismo cultural africano. Antónia de Fátima João Miranda (Tonicha Miranda), artista de grande sensibilidade e consistência, cuja carreira honra a música e as tradições culturais de Luanda. Sua dedicação ao carnaval e à canção angolana faz dela uma referência incontornável da cultura nacional. Elisa Coelho da Cruz Pime (Antonica), jornalista e cantora, resiliente e talentosa, com uma trajetória marcada pela força, autenticidade e amor à música e cultura  angolana, entre outros.

O projeto materializou-se na criação de um calendário no formato gregoriano, que apresenta a história de vida, as lutas e as contribuições das pessoas homenageadas, ao mesmo tempo em que destaca datas importantes do calendário africano, acompanhadas de informações culturais que fortalecem o diálogo entre tempo, identidade e ancestralidade.

A homenagem foi realizada e amplamente divulgada por meio das mídias sociais, possibilitando o alcance de africanos e de comunidades da diáspora em diferentes territórios. O lançamento ocorreu em janeiro de 2026, marcando o início de um novo ciclo de afirmação cultural e reconhecimento coletivo.

A construção do calendário contou com entrevistas realizadas pela equipe do Instituto Kybanthu Erer, por meio do WhatsApp, em diálogo direto com as pessoas participantes, garantindo que suas trajetórias, vozes e experiências fossem respeitadas e representadas.

As línguas africanas guardam histórias, filosofias, valores espirituais, modos de viver e de educar transmitidos oralmente por gerações. Valorizá-las é proteger a memória coletiva dos povos africanos e impedir o apagamento cultural provocado pelo colonialismo. Todas as ações voltadas à preservação cultural são atos de resistência, de fortalecimento da identidade e da autoestima africana, que precisam permanecer em continuidade para a proteção do patrimônio cultural imaterial africano.

A diáspora africana, formada a partir de deslocamentos forçados, violências históricas, rupturas culturais e também da busca por melhores condições de vida, encontra na valorização dos conhecimentos africanos um caminho para reconstruir laços interrompidos, recuperar referências identitárias e contribuir para a cura de feridas históricas.

Valorizar a cultura africana na diáspora não significa apenas olhar para o passado, mas construir caminhos de futuro, onde identidade, dignidade e pertencimento caminham juntos. O Calendário MUKANDA WA KITHANGANA! 2026 afirma-se, assim, como um gesto de reconexão, resistência e construção de um legado vivo para as próximas gerações.

O calendário foi divulgado nas redes sociais e pode ser baixado para download através do link:

https://drive.google.com/drive/folders/1Hv_o3gnhf-ibgpdoxxa48TjCXSX-qFFs?usp=sharing

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