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  • 27/08/2026
  • Por Abemi Adé Sinàimo

Sankofa Angola 2026: A Ancestralidade como Ponte para um Futuro Próspero

Há eventos que são apenas reuniões; e há movimentos que reescrevem a história. Entre os dias 21 e 27 de agosto de 2026, Luanda transformou-se no epicentro de uma das iniciativas pan-africanas mais inspiradoras dos últimos tempos: a Conferência Internacional Sankofa Angola & Business Expo 2026.

Sob o tema "Conexão Ancestral", o encontro — que teve o seu ponto alto no dia 24 de agosto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Agostinho Neto (UAN) — não foi apenas um resgate do passado. Foi a afirmação de que olhar para as nossas raízes é a estratégia mais inteligente para construir o futuro.

Uma Ponte Global: África, Brasil e a Diáspora 

O grande diferencial do Sankofa 2026 foi a sua dimensão verdadeiramente internacional. O evento funcionou como um abraço coletivo entre o continente e os seus descendentes espalhados pelo mundo.
 
A delegação brasileira, liderada pelo Prof. Dagoberto Fonseca (mentor do projeto A Grande Travessia Ee coordenador do Sankofa Brasil), marcou presença forte, assim como representantes da União da Diáspora Angolana (UDA) vindos do Reino Unido. A realeza e a tradição africana estiveram magnificamente representadas pelo Rei Joshua Maponga III e pela Rainha Mambokadzi Aluko, do Zimbábue, elevando o nível do debate sobre o pensamento pan-africano contemporâneo.
 
Também estiveram presentes vozes de Moçambique, Tanzânia, Camarões e figuras ligadas à tradição Rastafari, provando que a africanidade é uma rede viva e conectada.

Cultura, Arte e a Voz da Juventude

A ancestralidade no Sankofa não ficou presa aos livros; ela ganhou o palco, o corpo e a voz.
  • Música e Emoção: O cantor Vladimiro Gonga emocionou o público ao transformar a sua sonoridade afro-jazz num momento de memória coletiva, onde todos cantaram clássicos como Muxima e Umbi Umbi.
  • Línguas Nacionais em Cena: O projeto Raízes em Cena brindou os presentes com uma intervenção teatral em KIKONGO, KIMBUNDU e OVIMBUNDU, provando que as línguas nacionais são ferramentas vivas de pensamento e crítica social.
  • Protagonismo Jovem: Os Guerreiros de Luanda (capoeira) e artistas contemporâneos como o rapper Britxela Ulombe mostraram que a juventude não é apenas espectadora, mas a principal guardiã e recriadora das raízes.
  • Afroturismo: Visita a lugares históricos e contato com referências culturais.

Academia, Memória e Justiça Histórica

O Sankofa 2026 quebrou barreiras ao unir a tradição oral à ciência académica. A UAN, através da Vice-Decana Adelina Alberto e do sociólogo Paulo de Carvalho, ancorou o evento no rigor da investigação.
 
Foi um momento de profunda emoção e justiça histórica ver a participação da família de Maurício Francisco Caetano (Mafrano), honrando a memória Bantu, e a presença da Associação Angolana para Reparações Históricas, que colocou na mesa a urgência de reparar os impactos do colonialismo e da escravidão através de novas bases de cooperação. O Sagrado Feminino também teve o seu lugar de honra, com intervenções que reafirmaram a mulher como o pilar da memória e da comunidade.

Sankofa Business Expo: A Cultura que Gera Riqueza

Um dos maiores triunfos do evento foi demonstrar que a valorização da identidade africana não é apenas simbólica — é um poderoso motor económico. A Business Expo reuniu empreendedores afrocentrados que transformam saberes tradicionais em negócios inovadores. Projetos como a Kindu Laboratório (cosméticos à base de plantas), a Melunda e a Oylanda Yeto (artesanato e acessórios) provaram que a estética, os recursos naturais e a cultura africana geram emprego, inovação e desenvolvimento sustentável.

O Sankofa Angola 2026 encerra um ciclo em Angola (devido ao calendário eleitoral de 2027), mas expande as suas asas para o mundo.

O lema do evento resume perfeitamente a sua missão: "Vivendo o presente para juntos construirmos um futuro próspero". O Sankofa Angola 2026 provou que quando a tradição, a academia, a juventude, a arte e os negócios caminham juntos, África não apenas conta a sua história: ela dita o ritmo do seu próprio futuro.
 
E você? O que mais o inspira na conexão entre a ancestralidade africana e o empreendedorismo moderno? Deixe a sua opinião nos comentários!