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  • 28/08/2026
  • Por Abemi Adé Sinàímo - Elizabeth Leme

Sankofa Angola 2026: A Ancestralidade como Ponte para um Futuro Próspero

Há eventos que são apenas reuniões; e há movimentos que reescrevem a história. Entre os dias 21 e 27 de agosto de 2026, Luanda transformou-se no epicentro de uma das iniciativas pan-africanas mais inspiradoras dos últimos tempos: Conferência Internacional Sankofa Angola & Business Expo 2026.

Sob o tema "Conexão Ancestral", o encontro — que teve o seu ponto alto no dia 24 de agosto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Agostinho Neto (UAN) — não foi apenas um resgate do passado. Foi a afirmação de que olhar para as nossas raízes é a estratégia mais inteligente para construir o futuro.

Uma Ponte Global: África, Brasil e a Diáspora

O grande diferencial do Sankofa 2026 foi a sua dimensão verdadeiramente internacional. O evento funcionou como um abraço coletivo entre o continente e os seus descendentes espalhados pelo mundo.

A delegação brasileira, liderada pelo Prof. Dagoberto Fonseca (mentor do projeto "A Grande Travessia"), marcou forte presença, reforçando a conexão entre África e Brasil. Também marcou presença a UDA – União da Diáspora Angolana, representada a partir do Reino Unido. A realeza e a tradição africana estiveram magnificamente representadas pelo Rei Joshua Maponga III e pela Rainha Mambokadzi Aluko, do Zimbábue, elevando o nível do debate sobre o pensamento pan-africano contemporâneo.

Também estiveram presentes vozes de peso, entre elas o Ancião Faia Kongo, ligado à tradição Rastafari; Simba Mteta (Cmd. Machel), filho do antigo Presidente moçambicano Samora Machel; Mama Africa, Aminata Goubel; Hamida Mbaga, da Tanzânia; Adelaide Tatchemo, dos Camarões; e a Diva do Teatro em Angola, Dra. Agnela Barros, entre outros convidados especiais, provando que a africanidade é uma rede viva e conectada.

Cultura, Arte e a Voz da Juventude

A ancestralidade no Sankofa não ficou presa aos livros; ela ganhou o palco, o corpo e a voz.

Música e Emoção: Mais do que um concerto, a atuação de Vladimiro Gonga foi um verdadeiro ritual de reencontro. Armado apenas com a sua voz e o violão, o cantor e pesquisador angolano entrelaçou as tradições locais com o Jazz e a Bossa Nova, criando uma atmosfera afro-jazz de inspiração retro-moderna. O auditório rendeu-se à emoção, unindo-se em coros espontâneos para entoar clássicos que atravessam gerações — como a eterna "Muxima" de Rui Mingas e "Umbi Umbi" de Valdemar Bastos —, transformando a música num poderoso abraço de memória coletiva.

Línguas Nacionais em Cena: O projeto Raízes em Cena brindou os presentes com uma intervenção teatral, protagonizada por três jovens mulheres, que realizaram a interpretação, cada uma em sua língua nacional, em KIKONGO (Kiala), KIMBUNDU (Capemba) e OSHIWAMBO (Ndinelao), provando que as línguas nacionais são ferramentas vivas de pensamento e crítica social.

Protagonismo Jovem: Os Guerreiros de Luanda (capoeiristas angolanos) e artistas contemporâneos como o rapper Britxela Ulombe, o músico Euclides Kamanda e o Grupo Teatral TUWIZANE mostraram que a juventude não é apenas espectadora, mas a principal guardiã e recriadora das raízes.

Afroturismo e Vivência Cultural: Para além da conferência, as comitivas internacionais viveram Angola na prática, com visitas a lugares históricos e contacto direto com as referências culturais do país — transformando o conceito Sankofa numa experiência concreta de regresso às fontes.

Academia, Memória e Justiça Histórica

Numa clara demonstração de que a ancestralidade também é objeto de estudo e inovação, o Sankofa 2026 uniu a sabedoria da tradição oral à academia. Ancorada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Agostinho Neto (UAN), a conferência foi oficialmente aberta pela Vice-Decana da instituição, Prof.ª Adelina Alberto. Ao aproximar investigadores, sociólogos e a comunidade académica das lideranças tradicionais, o evento transformou a memória num campo de conhecimento vivo e essencial para o futuro.

Representantes da Associação de Antropólogos de Angola, entre eles Isaías de Lemos, também marcaram presença no encontro.

Foi um momento de profunda emoção e justiça histórica ver a participação da família de Maurício Francisco Caetano (Mafrano), honrando a memória Bantu, e a presença da Associação Angolana para Reparações Históricas, que colocou na mesa a urgência de reparar os impactos do colonialismo e da escravidão através de novas bases de cooperação. O Sagrado Feminino também teve o seu lugar de honra, contando com a presença do ONDJANGO DAS MULHERES AFRICANAS com Rosa Kahanda e Fernanda Carolina, reforçando a presença feminina na reflexão sobre identidade, ancestralidade e construção comunitária com intervenções que reafirmaram a mulher como o pilar da memória e da comunidade.

A riqueza do Sankofa 2026 refletiu-se na diversidade das suas vozes. O encontro reuniu a UMAPA (União dos Movimentos Afrocêntricos e Pan-Africanistas de Angola), a Amora-Rastafari Angola (com representantes de honra da tradição Rastafari) e o movimento "A Voz do Professor", liderado pelo Dr. Jaime Temba e Muzamba Chaves. Uma união poderosa que mostrou como a espiritualidade, o pan-africanismo e a educação caminham lado a lado na construção do futuro.

Sankofa Business Expo: A Cultura que Gera Riqueza

Um dos maiores triunfos do evento foi demonstrar que a valorização da identidade africana não é apenas simbólica — é um poderoso motor económico. A Business Expo reuniu empreendedores afrocentrados que transformam saberes tradicionais em negócios inovadores. Projetos como a Kindu Laboratório (cosméticos à base de plantas), a Melunda e a Oylanda Yeto (artesanato e acessórios) provaram que a estética, os recursos naturais e a cultura africana geram emprego, inovação e desenvolvimento sustentável.

A conferência também contou com o apoio técnico de registo fotográfico e produção editorial da PHOTO EXPRESS e DIGITECHNOLOGY, especialistas na área de imagem e comunicação ligados ao PRESSdigi.ao.

Toda esta engrenagem de reconexão continental foi possível graças ao trabalho meticuloso de membros e parceiros ligados à organização, como Daltron Costa, Nelson Bartolomeu, Kipopo Yakidi e Mariza Júlio. Com as bases solidamente estabelecidas por esta equipa, o movimento faz agora uma transição estratégica: o Sankofa Angola 2026 encerra o seu ciclo em Angola, mas a sua mensagem já não tem fronteiras. O movimento expande as suas asas para o mundo, transformando o sucesso de Luanda no trampolim para a sua nova rota internacional.

O lema do evento resume perfeitamente a sua missão: "Vivendo o presente para juntos construirmos um futuro próspero". O Sankofa Angola 2026 provou que quando a tradição, a academia, a juventude, a arte e os negócios caminham juntos, África não apenas conta a sua história: ela dita o ritmo do seu próprio futuro.

E você? O que mais o inspira na conexão entre a ancestralidade africana e o empreendedorismo moderno? Deixe a sua opinião nos comentários!